
A Era Trump, em seu segundo tempo, 2024-2028, criou nova conjuntura global, no plano econômico, político, social e, principalmente, militar; a arrogância imperialista trumpista, no ambiente de perda de hegemonia dos Estados Unidos, no comando do capitalismo em crise, levou o império americano à radicalização diante da perda de competitividade para a China; sua agressividade empurra todos, inclusive e principalmente o Brasil, a políticas de dissuasão e salvaguardas para se protegerem contra as agressões do império.
Trump responde ao desafio chinês, ameaçando o mundo; essa estratégia, na prática, não está dando certo do ponto de vista geopolítico onde há maior ebulição, como no Oriente Médio, região crítica para o futuro das relações internacionais.
O resultado que o imperador americano está colhendo, negativamente, indica crescimento da instabilidade mundial, vista dos interesses dos Estados Unidos como o ideal, já que responde a sua maior demanda: desenvolver a guerra; afinal, a indústria armamentista é o oxigênio do capitalismo imperialista, para ir garantindo – não se sabe até quando – sua expansão sem limites.
Destaque-se que expansão imperialista é sinônimo de dominação territorial e política, para roubar riquezas alheias, como diz o escritor Eduardo Galeano, autor de “Veias Abertas da América Latina”; o exemplo mais notório do projeto imperial trumpista, nesse sentido, se materializa na Venezuela; os Estados Unidos transformaram o país do bolivarianismo chavista em um protetorado, para explorar o petróleo, maior riqueza nacional venezuelana.
A tentativa trumpista de generalizar essa prática imperialista, que arromba, literalmente, o continente sul-americano, está fracassando, pelo menos por enquanto, no Irã; ali, o trumpismo fascista fracassa, ao tentar fazer o mesmo que fez com os venezuelanos, escravizando-os ao tomar sua maior riqueza, no peito e na raça, na lei da força.
A tradição milenar guerreira persa-iraniana, no entanto, transformou-se no maior obstáculo para Washington, que tem, também, contra si o compromisso geopolítico da China e da Rússia em apoiar o Irã.
O fechamento do Estreito de Ormuz e os ataques retaliatórios dos iranianos aos países do golfo, aliados dos Estados Unidos, destruindo refinarias de petróleo e desestabilizando infraestruturas econômicas regionais, colocou o poderio imperial de Washington em xeque-mate.
FRACASSO TRUMPISTA AUMENTA AGRESSIVIDADE IMPERIALISTA
Trump perde a guerra e a popularidade nos Estados Unidos, que ameaçam sua estabilidade política, para se manter no poder; o perigo de derrota eleitoral, por conta da alta geral dos preços, aumentando inflação, é patente, com a popularidade trumpista aproximando-se dos 30%, o que deixará o presidente na condição de pato manco, para enfrentar o restante do mandato de dois anos, perdendo maioria no Congresso.
Nesse contexto, a agressividade imperialista americana se acentua cada vez mais, quanto mais se vê acuado, levantando as energias de guerra em escalada cada vez mais explicita.
É aí que emerge o novo discurso dos países que se sentem agredidos pelo império americano, como está sendo, agora, o caso do Brasil; a disposição manifesta de Trump de apoiar a direita fascista bolsonarista, para tentar eleger o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, se intensifica.
Esse novo quadro emergente obriga o governo brasileiro a uma outra estratégia de defesa nacional como nunca pensou em fazer antes dessa Era Trump.
O discurso pacifista não tem mais utilidade, diante da propensão ditatorial trumpista.
O perfil histórico pacifista brasileiro se torna totalmente incompatível diante desse novo tempo, que não imaginado – e por isso desdenhado – pelos estrategistas brasileiros quanto a uma política de defesa nacional; esta, agora, diante do trumpismo guerreiro, que vê a América do Sul e América Latina como território a ser conquistado a qualquer custo, seja lá como for, inclusive, e principalmente, pela força, se for necessário, na linha da Nova Doutrina de Defesa dos Estados Unidos, impõe novo paradigma; as Forças Armadas brasileiras são obrigadas a antever a ação americana hostil ao Brasil e não como amigas, como historicamente tem se comportado, desde final da Segunda Guerra Mundial.
Dotar o Brasil de política de defesa nacional compatível com as novas exigências para proteção do ameaçado território brasileiro, imensamente rico e alvo de cobiça internacional, especialmente, como a trumpista, conforme se manifesta, exige novo comportamento que não estava nas cogitações das lideranças políticas.
NOVO PACTO: NACIONALISMO SOBERANO X TRUMPISMO BOLSONARISTA ENTREGUISTA
O trumpismo agressivo, que se coloca, explicitamente, a favor de um domínio político pela direita fascista entreguista, como a bolsonarista, impõe, como imperativo categórico, a questão do nacionalismo como instrumento maior de defesa da soberania nacional, como destaca o economista Paulo Nogueira Batista, em artigo na Carta Capital.
Daí se deriva, naturalmente, a necessidade de outra estratégia econômica, alternativa à que está em curso, de viés neoliberal, sob domínio da especulação financeira; torna-se, diante do trumpismo imperialista agressivo, disposto a radicalizar na América do Sul, para defender os interesses norte-americanos, outra alternativa, oposta à vigente, pautada no modelo neoliberal, ancorado no tripé econômicos, que fixa a restrição monetária austericida como prioridade econômica, conforme a praxe atual.
Caso contrário, o discurso em favor da defesa nacional vira mera retórica, se tal prioridade monetarista em vigor perdure, sob o domínio da elite financeira antinacional, impedindo elevação dos gastos fiscais em defesa nacional, como imperativo para o interesse soberano da nação.
O discurso imperialista trumpista requer, portanto, do ponto de vista do interesse nacionalista brasileiro, novo pacto político nacional, para que seja implementada nova política de defesa.

