Cuidado, Brasil! Trump arma novo assassinato econômico na América do Sul fortalecendo o fascismo contra democracia com doutrina Monroe. Por César Fonseca

0
19
A imposição do presidente Donald Trump ao governo venezuelano de Dercy Rodrigues, de contrato de exploração de 17 campos de petróleo, por 25 anos, para produzir 1,5 MI/B/D, ao preço médio de 65 dólares o barril, demandando investimento previsto de 100 bilhões de dólares por petroleiras americanas e associadas, parece miragem que cheira a assassinato econômico do tipo descrito por John Perkins, no seu famoso livro “Confissões de um Assassino Econômico”, Cultrix, 2004.
A substituta do ex-presidente Nicolás Maduro, derrubado por Trump e levado preso para Nova York, onde espera por julgamento sob acusações de terrorismo pelo império, não teve opção, senão aceitar as regras imperialistas.
Está, portanto, sob mira das armas apontadas para sua cabeça, tal como aconteceu com as histórias semelhantes de subjugações impostas pelos Estados Unidos a governos de diversos países latino-americanos, nos anos de 1960/1970.
A soberania venezuelana, nesse contexto, está ameaçada.
Afinal, dificilmente, as petroleiras, que, no passado, sofreram nacionalizações do ex-governo Andrés Perez(1974-1979), colocarão esse volume de dinheiro anunciado por Trump sem ter garantia de propriedade do subsolo ou algo parecido, especialmente, quando o mundo passa por transição energética, impulsionada pela China, mediante domínio das terras raras sob avanço da IA.
O domínio territorial, como complemento do golpe trumpista dado sobre chavismo, torna-se, do ponto de vista do capital petroleiro, imprescindível, o que, no limite, somente, pode ser garantido por ocupação militar.
Essa possibilidade sinistra, já materializada, historicamente, na América Latina, poderia levantar o povo venezuelano em defesa do país, ressuscitando nacionalismo soberano da Pátria Grande, conforme conceituação geopolítica de Simon Bolivar, no século 19.
HISTÓRIA REAL
Economista americano, Perkins descreve suas experiências como agente econômico terceirizado de consultoria privada contratada pelo BIRD, naqueles anos, para trabalhar nos países capitalistas periféricos, como Indonésia, Panamá e Equador, alvos, como agora acontece com a Venezuela, da cobiça de Washington, para enquadrar, à força, governos resistentes à orientação imperialista da Doutrina Monroe, ressuscitada, agora, por Trump.
Seu trabalho o relacionava com autoridades de alto escalão dos governos desses países, na elaboração e consecução de projetos de perfil desenvolvimentista, mas que, na prática, produziam desastres econômicos, verdadeiros assassinatos de economias subdesenvolvidas.
Perkins escreve sua obra para reconhecer, explicitamente, que foi um “assassino econômico” a serviço dos Estados Unidos.
Objetivamente, o BIRD realizava empréstimos americanos pelo mundo afora, como missão americana para expandir negócios dos Estados Unidos no pós-guerra, quando, vitoriosos no segundo conflito mundial, ergueram hegemonia econômica mundial pelo capitalismo americano.
“CORPOROTOCRACIA”: MOEDA COMO ARMA DE DOMINAÇÃO IMPERIALISTA
Naquele momento, havia excesso de oferta monetária americana, depois que o governo Nixon, em 1971, descolara o dólar do ouro e deixara a moeda flutuar.
A oferta maior do que a demanda barateou o dólar e levou os países capitalistas periféricos à tomada de poupança externa, para tocar projetos de desenvolvimento.
Ampliava-se a teoria do desenvolvimento econômico, armadilha que, na prática, resultou em subdesenvolvimento econômico, como denunciou Celso Furtado.
A função dos economistas do BIRD, dos bancos privados e das corporações empresariais, para formar o que Perkins denomina de “Corporatocracia”, atuando em escala global, era nada mais, nada menos que executar a expansão imperialista americana nos cinco continentes, na linha denunciada por Lenin, em “Imperialismo, etapa superior do capitalismo”(1917).
O papel dos corporatocratas era projetar grandes planos desenvolvimentistas, que demandavam investimentos, propositalmente, superiores à capacidade de crescimento do PIB dos países tomadores.
De antemão, os corporatocratas, como destaca Perkins, sabiam que injetariam massa de dólares superior à capacidade de suportá-la, por parte dos países tomadores, seduzindo-os mediante corrupção de suas elites nacionais.
O capital excedente tinha que ser aplicado para voltar multiplicado aos próprios Estados Unidos, como explica Marx, referindo-se ao mesmo fenômeno que acontecia na Inglaterra, no capítulo 28, em O Capital, quando trata da “Acumulação de Capital Monetário e sua Influência sobre a Taxa de Juros”.
No século 20, os Estados Unidos substituiriam a Inglaterra, executando o mesmo método de acumulação que ele descreve em O Capital.
CORRUPÇÃO IMPERIALISTA
Na prática, explica Perkins, verificava-se corrida aos dólares baratos, ancorados nos projetos superestimados pelo Banco Mundial, naquela base: o dinheiro era liberado pelo BIRD aos bancos privados americanos, que ampliavam a oferta aos projetos elaborados pelas corporações americanas, que tocavam as obras contratadas junto aos governos subdesenvolvidos, dominados por elites seduzidas pelo império por meio de corrupção generalizada.
O dinheiro circulava do BIRD para as empresas americanas, que se relacionavam com bancos privados, fazendo negócios com bancos dos países devedores.
O processo, invariavelmente, produzia bolhas especulativas que explodiriam mais cedo ou mais tarde, no ritmo da oferta barata de dólares, patrocinada pelo BIRD e FMI, ao longo dos anos 1970.
Naquele momento, os Estados Unidos apoiavam governos ditatoriais, que derrubavam democracias, para ampliar expansão do capitalismo americano, em escalada econômica imperialista colonial.
Grandes projetos foram financiados mundo afora.
Exemplo disso foram construção, no Brasil, da Ferrovia do Aço e Rodovia Transamazônica, não concluídas, deixando no seu rastro dívidas externas crescente, que resultariam em concentração de renda, desemprego, fome, miséria e desigualdade social, puxadas por juros extorsivos, quando as bolhas estouravam etc.
CÁLCULOS ECONOMÉTRICOS FURADOS
Os cálculos superdimensionados de expansão dos PIBs, nos países da periferia capitalista, realizados pelos econometristas corporatocratas, como descreve John Perkins, indicavam o óbvio: os PIBs não cresceriam jamais conforme os cálculos econométricos do BIRD, e diante dos prejuízos previsíveis nos relatórios do próprio Banco Mundial, os bancos privados suspendiam empréstimos ou acumulavam passivos nacionais, em garantias, como empresas estatais, bancos regionais etc, ativos de diversas naturezas como garantia para o capital investido etc.
A intervenção militar americana, no limite, era o resultado final do processo, sob pressão dos credores sobre o governo americano para derrubar governos resistentes ao império, como aconteceu em diversos países latino-americanos.
Como destaca John Perkins, os projetos superdimensionados não tinham compromissos com o desenvolvimento econômico, mas, apenas, significavam armadilhas de dívidas externas para os países devedores se afundarem, levando a crises sociais inevitáveis, no compasso da expansão imperialista.
ESTRATÉGIA DE PAUL VOCKER
Tudo piorou para os tomadores de dólares, quando os bancos americanos, temerosos de levarem calotes, frente ao excesso de liquidez em dólar, pressionaram o Banco Central americano, o FED, a enxugar tal liquidez global, no final dos anos de 1970.
Dominado pelos bancos privados, o FED, sob Paulo Volcker, elevou a taxa de juros de 5% para 20%.
Veio a crise da dívida nos anos de 1980.
Resultado: quebradeira geral da periferia capitalista e queda das ditaduras financiadas pelos Estados Unidos.
Abrir-se-ia espaço para a falsa política de direitos humanos em favor da retomada da democracia, no Governo Carter, que tinha motivação oculta: privatizar periferia capitalista endivida.
NASCE CONSENSO DE WASHINGTON
No rastro da redemocratização, patrocinada pelos Estados Unidos, emergiu o Consenso de Washington, ou seja, o modelo neoliberal, em plena vigência, inviabilizando desenvolvimento econômico sustentável.
Com o Consenso de Washington nasceria o tripé neoliberal, obrigando os países capitalistas endividados a se submeterem às restrições monetárias e fiscais, bombeadoras dos juros altos, mediante mecanicismo econômico ancorado em metas inflacionárias, câmbio flutuante e superávits primários, a armadilha econômica imperialista.
Os países devedores em dólares tiveram, sob Consenso de Washington, que entregar patrimônio – empresas, bancos, ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, abertura de capitais etc –, enfim, tudo que havia sido erguido com poupança externa a juro barato em dólar.
Esse foi o resultado prático deixado pelos AEs – Assassinos Econômicos –, segundo Perkins, traduzido em expansão da riqueza americana, de um lado, e a da pobreza da periferia capitalista, de outro.
INVESTIDA IMPERIALISTA PARA BARRAR CHINA NA AMÉRICA DO SUL
Mutatis mutantis, tem-se, agora, com a retomada da Doutrina Monroe, pelo imperador Donald Trump, como base da segurança nacional americana, a intensificação da guerra do petróleo no Oriente Médio e o assalto americano ao petróleo latino-americano, como ocorre na Venezuela, com destruição do modelo econômico nacionalista chavista.
Trata-se, pragmática e imperialmente, da estratégia de Washington para tentar vencer a concorrência capitalista contra a China, buscando expulsar os chineses da América do Sul, por trás do escudo do BRICS.
O novo modelo de Assassinato Econômico, avalizado pelo Doutrina Monroe, encarna-se, portanto, na América Latina, por meio do imperialismo trumpista, com a prática de assaltar riquezas nacionais, pelos Estados Unidos, a fim de realizar chantagens econômicas contra a China e evitar sua expansão na América do Sul.
FRACASSO IMPERIALISTA NO IRÃ
A tentativa de invasão do Irã, para impedir a oferta de petróleo iraniano aos chineses por meio do Estreito de Ormuz é uma jogada em que o feitiço virou contra o feiticeiro, pelo menos por enquanto.
O Irá está conseguindo barrar a investida americana, e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, está sendo realizado não para prejudicar a China, aliada do Irã, mas para bloquear canalização do ouro negro ao ocidente.
O resultado é crise econômica mundial: aumento do preço dos combustíveis, disparada da inflação nos Estados Unidos e aprofundamento do caos capitalista americana e de todo o ocidente aliado dos americanos, desde o pós-segunda guerra mundial.
Diante desse impasse, Washington abriu guerra contra a Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, para suprir o mercado americano de óleo a custo baixo, enquanto impulsiona outra guerra, desta vez, envolvendo toda a América Latina.
Para tentar manter essa geopolítica guerreira, o imperador Trump derrubou o governo da Venezuela, impede negócios dela com a China e Rússia, enquanto manobra ações políticas semelhantes às desencadeadas contra as economias subdesenvolvidas, descritas por John Perkins, nos anos 1970, para sustentar a acumulação capitalista americana.
FASCISMO IMPERIALISTA, AGORA, VISA TERRAS RARAS
A América do Sul, com destaque para a Venezuela, subjugada pela força imperialista, está sob ataque do império americano, sob nova versão da Doutrina Monroe.
O objetivo imperialista é controlar o continente sul-americano mediante fascismo político de ultra direita, como nova versão do Assassinato Econômico.
Desesperados, os Estados Unidos visam conter fontes de abastecimento de matérias primas para o seu maior adversário, a China.
O cenário, para os países sul-americanos, é ainda mais perigoso, porque está em jogo o controle da nova matéria prima, as terras raras, fundamentais para os Estados Unidos continuarem fabricando armas sofisticadas sob tecnologia dominada pela Inteligência Artificial, manipulada pelas Bigtecs.
Se Washington invade Venezuela para derrubar governo democrático, a fim de tomar matérias primas, como o petróleo, por que não faria o mesmo contra países detentores de terras raras, como o Brasil, sem as quais os Estados Unidos perderão a corrida competitiva com os chineses no cenário global?
O imperialismo trumpista, portanto, intensifica o seu perfil histórico de autêntico assassino econômico.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here