CRIADOR E A SALVAÇÃO DE SUA CRIAÇÃO. Por José Carlos de Assis

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Uma mobilização política jamais vista no Brasil e só raramente no resto do mundo salvou a civilização do domínio de um miliciano que chegou pO róximo de entrar como vitorioso no Palácio do Planalto. Confesso que acompanhei friamente a apuração dos votos. Jamais acreditei que Flávio Bolsonaro, com o peso asqueroso do seu passado e do passado de sua família, pudesse vencer a eleição. Não foi uma conclusão resultante de qualquer cálculo racional. Foi por simples intuição.

A única coisa que tem que ser explicada é por que o País tinha de correr um risco tão grande para se ver livre da ameaça da onda avassaladora da extrema direita que vem crescendo no planeta e que não poupou, por exemplo, os Estados Unidos e nossa vizinha Argentina. De fato, se houve intervenção divina, era de se esperar que atuasse mais rápido e não angustiasse o povo de boa fé com uma decisão tão lenta. Contudo, vou esboçar uma explicação que talvez seja bem compreendida pelo povo.

Primeiro, gostaria de deixar claro que não acredito num deus tradicional subjetivo, imaginado pelas pessoas individualmente,  mas, sim, num Criador objetivo, visível na Natureza e responsável por toda a Criação. O maior legado desse Criador aos seres criados é a Liberdade. Ele transfere a eles parte de seu poder de criação. Para materializar esse poder ele criou lados complementares dos seres vivos, o Feminino e o Masculino. E, para que eles também criem, legou-lhes a atração irresistível do Amor.

Entretanto, a Liberdade tem seu preço. Em mulheres e homens, assim como em outros seres vivos, o preço da Liberdade pode ser uma falha genética produzida pela Natureza ou uma falha de caráter resultante do convívio involuntário num ambiente onde predomina o ódio sobre o amor. A primeira situação explica o nascimento de pessoas com defeitos físicos. A segunda, pessoas com defeitos de caráter, inclinadas aos conflitos, às guerras e aos vícios promovidos pela cobiça e o ódio.

Em nenhum desses casos de desvios pode-se responsabilizar o Criador como culpado. No ato de criar, Ele não quis fazer simplesmente esculturas ou cópias inanimadas dele mesmo, mas seres dinâmicos que também criassem, segundo as regras da evolução comandada pelo Amor. Os desvios de caráter, nos casos de mulheres e homens, devem-se exclusivamente ao mau uso da Liberdade criadora sob o impulso, como visto, de sentimentos de ódio, de cobiça ou de desrespeito ao outro.

É de se esperar, nesse contexto, que o Criador somente participe da História humana em casos extremos, quando a ruptura  dos laços de Amor entre mulheres e homens tende a se generalizar e colocar ameaçadoramente a predominância do ódio numa rota  definitiva. Ele não fará isso quando apenas um grupo, um partido ou uma Nação apresentem sintomas de desvios da Liberdade. Só entrará em cena quando as ameaças à Liberdade numa área delimitada do planeta ameaçam alcançar o planeta inteiro.

O sinal de que o Criador acabaria intervindo em sua criação deu-se quando Trump ganhou a eleição nos Estados Unidos e Millei na Argentina, ambos com um discurso de ódio. Não era possível esperar mais. E o momento certo para intervir eram as eleições brasileiras, quando entrou em jogo a principal Nação da América Latina e uma das maiores do Ocidente. A eleição de András Baka na Hungria também antecipou a virada, mas a Hungria não tem condições de puxar tantas nações como o Brasil.

O risco que o Brasil teve de correr em face da demora nas eleições se contrapõe aos resultados eleitorais que empurraram América do Sul para a direita em suas próprias eleições. Essa torrente fascista, agora, foi afastada. Estejam certos de que, com o exemplo brasileiro de que a América Latina não precisa mesmo de ser “um quintal dos Estados Unidos”, nenhuma outra interferência do Criador será necessária para apontar aos latino-americanos as melhores opções eleitorais que estão por vir.

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