
Original em: https://www.esmaelmorais.com.br/mocellin-imperador-brasil-satira-flavio-bolsonaro/
O professor de História Renato Mocellin, de Curitiba, resolveu entrar na onda das autoproclamações políticas. Em uma montagem publicada no Instagram, o educador aparece vestido como imperador, com coroa, manto bordado, faixa presidencial e cetro, acompanhado da frase: “Estou me autoproclamando imperador do Brasil. Mocellin, o Breve”. A sátira mira Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno presidencial de 25 de outubro e autor de uma carta em que chegou a se declarar presidente eleito do país, mesmo estando nos Estados Unidos.
Conhecido como Professor Mocellin, o historiador adotou o título de “Mocellin, o Breve”, em uma referência bem-humorada aos reinados curtos da história das monarquias. A imagem transforma a autoproclamação presidencial em uma espécie de coroação imperial.
A publicação foi acompanhada de uma legenda que ironiza o episódio envolvendo o senador bolsonarista.
“Atendendo o clamor popular! Vivemos dias distópicos, pois um candidato que sofreu uma derrota eleitoral incontestável fugiu para os Estados Unidos e se autoproclamou Presidente da República”, escreveu Mocellin.
O professor também chamou atenção para o brasão utilizado em uma das versões da carta atribuída a Flávio Bolsonaro, que trazia a inscrição histórica “Estados Unidos do Brazil”.
A referência não passou despercebida. O nome oficial do país foi alterado para República Federativa do Brasil pela Constituição de 1967. O brasão antigo acabou substituído nas versões posteriores do documento.
A carta de Flávio circulou em 28 de outubro, três dias depois da vitória de Lula nas urnas. Na primeira versão, o senador se apresentou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, modificou o texto e passou a se definir como “líder do Brasil”.
A mudança não eliminou o conteúdo político da manifestação. Flávio continuou contestando o resultado eleitoral e alegando fraude, sem apresentar provas que sustentassem a acusação.
A brincadeira de Mocellin segue uma sequência de sátiras que o episódio inspirou nas redes sociais. O Blog do Esmael também registrou a provocação do ativista dos direitos humanos Toni Reis, ligado à defesa da comunidade LGBTQIA+, que ironizou a situação ao se autoproclamar heterossexual.
No caso do professor curitibano, a escolha de um título imperial acrescenta uma camada histórica à piada. Professor de História e autor de livros didáticos, Mocellin tem trajetória ligada à educação e à participação política no Paraná. Em 2020, chegou a ser pré-candidato do Partido Verde (PV) à Prefeitura de Curitiba.
Mocellin integra equipe docente do Curso Positivo nas disciplinas de História e Sociologia.
A sátira também recupera uma velha questão da história política: autoproclamar-se governante não significa conquistar legitimidade pelo voto ou reconhecimento institucional.
Por enquanto, o Brasil tem um presidente eleito pelas urnas e um imperador de Instagram. E o reinado de “Mocellin, o Breve” já nasceu com prazo de validade humorístico.