Dois Anos Sem Samuel: A Voz que o Brasil Não Pode Calar. Por (Embaixador José Maurício Bustani )

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Nesta primeira Semana Samuel Pinheiro Guimarães, o Paraíso Brasil tem a honra de publicar a tocante homenagem de um herói, o embaixador José Maurício Bustani, a outro herói, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

Palavras que ecoarão através dos tempos:

“Sua partida deixou um vazio imenso, especialmente em tempos em que as sombras da dependência teimam assustadoramente em retornar.

No entanto, dois anos depois, sua voz ainda ecoa nos corredores do Itamaraty e nos corações de quem se recusa a aceitar um Brasil apequenado.

Samuel Pinheiro Guimarães vive na ideia de que somos capazes. Ele vive em cada diplomata que coloca o interesse público acima das conveniências do momento.

Samuel, sua luz continua a guiar o nosso caminho. O Brasil, aquele que você tanto defendeu, ainda precisa muito de você.”

(Paraíso Brasil, 26 de janeiro de 2026)

Dois Anos Sem Samuel: A Voz que o Brasil Não Pode Calar
(Embaixador José Maurício Bustani, 26 de janeiro de 2026)
Passaram-se dois anos desde que o Brasil perdeu um de seus filhos mais lúcidos, e o Itamaraty, uma bússola altamente confiável.

Falar de Samuel Pinheiro Guimarães não é apenas um exercício de memória afetiva; é uma necessidade de sobrevivência para quem ainda acredita em um projeto de Nação.

Samuel não foi apenas um colega ou um diplomata brilhante. Ele foi, provavelmente, o melhor Secretário-Geral que a nossa Casa de Rio Branco já conheceu.

Sua gestão não se pautou pela burocracia, mas por uma visão de mundo onde o Brasil não pedia licença para existir. Ele entendia, como poucos, que a política externa é a extensão da soberania nacional.

Pensador da insurgência necessária, foi rotulado , de forma simplista, como um “nacionalista”. Samuel, com quem tive a honra e a felicidade de conviver, era muito mais. Ele era um estrategista da resistência. Seu pensamento, cristalizado em obras fundamentais, desnudava as estruturas de poder global com a precisão de um cirurgião. Ele nos ensinou que:

O Brasil não é um figurante: O destino do país deve ser traçado em Brasília, e não em Washington ou Bruxelas.
O Desenvolvimento é um Direito: A soberania só é plena quando o povo tem dignidade e a indústria nacional tem fôlego.
A Coragem é um Atributo Diplomático: Samuel nunca temeu o “não” das grandes potências; ele temia, sim, o silêncio submisso dos seus compatriotas.

Samuel deixou um legado de emoção e patriotismo.

Conviver com Samuel era ser constantemente provocado a pensar o Brasil de forma grandiosa. Lembro-me de sua profunda correção de caráter, de sua firmeza inabalável, mas também da generosidade com que compartilhava sua sabedoria com as novas gerações. Ele sentia o Brasil na alma. Cada defesa da nossa autonomia era carregada de um patriotismo genuíno, longe de ufanismos vazios — era um amor crítico, profundo e vigilante.

Sua partida deixou um vazio imenso, especialmente em tempos onde as sombras da dependência teimam assustadoramente em retornar.

No entanto, dois anos depois, sua voz ainda ecoa nos corredores do Itamaraty e nos corações de quem se recusa a aceitar um Brasil apequenado.

Samuel Pinheiro Guimarães vive na ideia de que somos capazes. Ele vive em cada diplomata que coloca o interesse público acima das conveniências do momento.

Samuel, sua luz continua a guiar o nosso caminho. O Brasil, aquele que você tanto defendeu, ainda precisa muito de você.

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