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Lula olho no olho com Trump: basta do bloqueio contra Cuba. César Fonseca

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O presidente Lula está diante de rara oportunidade para se tornar grande liderança na América Latina, se no próximo mês, quando encontrar com o presidente Donald Trump, na Casa Branca, defender o fim do bloqueio econômico americano contra Cuba, que se estende por seis décadas; a humanidade está diante de um dos maiores crimes da história, perpetrado pela maior potência militar e nuclear do planeta, contra uma ilha vizinha desarmada.
O crime de Cuba? Manter a sua dignidade histórica de escolher soberanamente o caminho que deseja prosseguir, erguendo a bandeira socialista; no momento, o presidente fascista americano acaba de ser confrontado com um dos maiores protestos político-culturais do planeta contra a política de imigração, no país que se ergueu, historicamente, com a força dos estrangeiros que afluíram para o seu território ao longo do século 19 e 20, tornando-o o país mais rico dos cinco continentes.
Washington, que há 60 anos move mundo e fundos para tentar reverter a honra e a vontade nacional cubana, sem alcançar, até agora, esse objetivo, lança, no ocaso do capitalismo americano, sua última marca de crueldade: levar os cubanos à fome e à sede, ao fogo da tirania financeira e guerreira, como atitude macabra final; sem dúvida, vai ser o maior tiro no pé que Trump dará, prenunciando sua derrota eleitoral, em novembro, que já se espalha como faísca em grama seca, podendo-o levar ao impeachment, dando cabo, mais cedo, do seu mandato presidencial.
Brigando com todo o mundo, ameaçando, indiscriminadamente, aliados e adversários, levantando a bandeira sanguinária da força como política de estado imperialista, o titular da Casa Branca teima em punir Cuba por insistir em existir; na ilha já falta luz, água, transporte, gás, petróleo, sem os quais a economia pára, isolando-a, materialmente, do mundo, porém, cercada da solidariedade universal.
Os brios da humanidade estão sendo confrontados contra a vergonha de se manter acanhada e covarde diante do imperador, que tenta derrotar a revolução cubana, sem dar, ainda, a devida atenção às dívidas que tem para com Cuba ao longo da segunda metade do século 20 até agora.
HUMANIDADE INGRATA COM CUBA DIANTE DO MASSACRE IMPERIALISTA DE TRUMP
O mundo, como diz o escritor Bruno Amaral de Carvalho, estremeceu quando Bad Bunny avançou sobre o relvado, no Super Bowl, diante de milhões de telespectadores, com as bandeiras de todos os países da América, numa performance que, sendo um pontapé no imperialismo, só vai encontrar pólvora seca no entusiasmo liberal.
Enquanto o cantor porto-riquenho disparava em castelhano, do outro lado do Golfo do México, Cuba anunciou que deixou de ter combustível para abastecer aviões.
Este cerco medieval por parte dos Estados Unidos é uma agressão intolerável que asfixia um povo e que não vai ter a indignação de uma bolha habituada a conduzir a sua solidariedade ao compasso do que diga Washington ou Bruxelas.
“Deixem-me ser claro, diz o escritor: eu defendo a revolução cubana. Independentemente do que achemos do modelo político de Cuba, esta é uma agressão intolerável que está a deixar ambulâncias sem gasóleo, universidades sem electricidade, bairros inteiros sem luz.”
“Uma vez mais, depois de permitirmos um genocídio em Gaza, os assassinatos extrajudiciais no mar das Caraíbas e o sequestro de um presidente estamos a permitir que os nossos líderes com a sua indiferença selectiva nos levem ao abismo.”
“O problema de Cuba não é a democracia ou a falta dela porque já percebemos que não é isso que guia a empatia política dos Estados Unidos ou da União Europeia.
Vou-vos contar porque é que acho que Cuba é o país mais bonito do mundo.”
“Já depois de ser eleito presidente da África do Sul, Nelson Mandela visitou Fidel Castro em Havana e deu-lhe uma reprimenda.
Como é que o líder da revolução cubana não tinha ainda visitado a sua pátria sul-africana, perguntou. Mandela recordou que Cuba havia treinado militarmente os combatentes da ANC que lutaram contra o apartheid.
Quando Fidel decidiu visitar, finalmente, a África do Sul, passou por vários outros países que o receberam como um herói.
Porquê?”
“Nos anos 60, Cuba havia apoiado a libertação de países como a Argélia e a Guiné-Bissau.
Nos anos 70 e 80, milhares de cubanos lutaram em Angola contra a invasão sul-africana e derrotaram o regime do apartheid em Cuito Cuanavale.
Para países como a Namíbia, essa vitória foi fundamental para a sua independência.
Cuba construiu hospitais no Vietname, apoiou as lutas das resistências em toda a América Latina, incluindo Porto Rico.”
“Ajudou a esconder panteras negras e foragidos de todo o mundo como Assata Shakur.
Tratou milhares de crianças afectadas pelo acidente nuclear de Chernobyl, em muitos países do Sul Global os únicos médicos que os mais pobres alguma vez viram na vida eram cubanos.
Quando rebentou uma epidemia de ébola em Serra Leoa, os médicos cubanos foram os únicos que se atreveram a enfrentar ao lado das populações a doença.
Diante de uma crise sanitária sem precedentes em décadas, quando rebentou a covid-19, Itália viu-se obrigada a pedir ajuda a Cuba.”
“Como é que uma pequena ilha bloqueada há mais de meio século pela maior potência mundial, sem grandes recursos naturais, conseguiu eliminar a transmissão de HIV entre mãe e filho?
Como é que consegue ser um dos países com menor taxa de mortalidade infantil?
Como é que consegue ter uma esperança média de vida ao nível dos países mais avançados?”
“Se isto não interessar, recordo que não haveria Bad Bunny sem Cuba.
Muitas das sonoridades que hoje ouvimos e que vêm das Caraíbas, incluindo Porto Rico, nasceram com o son cubano, que com a comunidade emigrante em Nova Iorque deu origem àquilo que se conhece como salsa e que foi fundamental para o advento do reggaeton.”
“Que o mundo feche os olhos ao que se passa em Cuba, incluindo alguns dos países que receberam ajuda de Havana, submetendo-se às imposições de Washington, é uma das maiores provas de ingratidão deste século.
Muitas vezes, Cuba abdicou dos seus parcos recursos para estar ao lado dos povos do mundo.
É hora de os povos do mundo exigirem ainda com mais firmeza o fim do cerco e do bloqueio.”

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