“Venham, mestres da guerra.
Vocês que forjam canhões como se fossem brinquedos.
Vocês que desenham aviões que vomitam fogo sobre inocentes.
Vocês que criam bombas como se fossem poemas — frios, calculados, assassinos.
Vocês que nunca sujam as mãos, mas lavam a consciência em cifras.
Que se escondem atrás de paredes grossas, de gravatas bem passadas, de sorrisos em reuniões sombrias.
Acreditem, eu vejo através das vossas máscaras.
Vejo o vazio nos vossos olhos.
Vejo a fome de poder disfarçada de patriotismo.
Deixem-me perguntar algo simples:
O vosso dinheiro é assim tão puro?
Pode comprar perdão no fim da linha?
Pode silenciar o grito das crianças soterradas?
Pode pagar o preço da alma de um mundo dilacerado?
Quando a morte bater à tua porta, não virá com fanfarra —
Virá com as vozes dos que morreram por tuas mãos.
E aí, descobrirás:
Todo o ouro que acumulaste,
Todo o sangue que derramaste,
Não comprará o silêncio eterno.
Não comprará paz.
E, acima de tudo…
Não comprará a tua alma de volta.”
(poema de Bob Dylan)
*Imagem: coletada na divulgação, pela Internet, do ataque ao Irã, pela ação conjunta dos EUA com Israel, dia 28 de fevereiro de 2026.


