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Melhor para Lula em disputa eleitoral: distância do Centrão e do Presidente Trump. Por César Fonseca

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Foto Agência Brasil
Diante dos desdobramentos explosivos do Caso Master, concomitantemente ao da guerra EUA-Israel x Irã, cujas consequências são incógnitas totais, o melhor para o presidente Lula, que marcha para tentar conquistar seu quarto mandato, em 2026, é manter distância calculada de dois perigos iminentes: 1 – do Centrão e 2 – do presidente Donald Trump.
Ambos são elementos tóxicos no presente momento.
No primeiro caso, do Centrão, o alarme vem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de que as escutas que ele autorizou da Polícia Federal no telefone de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mencionam personagens importantes da República.
Quais são esses personagens republicanos e seus respectivos partidos que estariam arrolados no fantástico escândalo?
Ao que tudo indica, o presidente Lula e seu partido, bem como seus aliados na Frente Ampla, estão fora desta, até prova em contrário, pelo que consta da lista divulgada em circulação nas redes sociais, alinhando contatos com os quais Vorcaro teria mantido.
Os nomes que vem à tona são de opositores de Lula, do bolsonarismo e do Centrão, que, na última eleição, estava aliado a Bolsonaro.
Portanto, todo cuidado é pouco, porque a quadrilha de Vorcaro, pelo que denota das investigacoes da PF, agiu na base política antipetista.
Essa confirmação recomenda o óbvio: as forças progressistas, compostas pela Frente Ampla, cujo líder é o presidente Lula, devem, no contexto da implosão da organização criminosa comandada por Vorcaro, manter-se, o máximo possível, distante da confusão, no cenário da eleição.
Nesse sentido, as cogitações antes admitidas de que Lula buscaria aproximação do Centrão para isolar a ultradireita bolsonarista deve ser repensada.
O Centrão, sob suspeita de ser próximo de Vorcaro, como evidencia as provas contidas no telefone dele, apuradas pela Polícia Federal, tornou-se, politicamente, tóxico, tal como o bolsonarismo, tóxico por excelência.
Os estrategistas do PT, comandados pelo presidente do partido, Edinho Silva, têm, portanto, que rever o rumo dos acontecimentos.
Afinal, como os novos acontecimentos revelam, ficar perto do Centrão virou caixão e vela preta.
Vorcaro representa veneno mortal para quem estiver a ele associado, tendo em vista as últimas informações fornecidas pela Polícia Federal, a pedido do ministro André Mendonça, relator do explosivo Caso Banco Master.
Quanto mais longe a Frente Ampla Lulista estiver desse Caso, melhor, é claro.
Preserva a saúde eleitoral da esquerda e de seus aliados na disputa eleitoral.
TRUMP TÓXICO
Da mesma forma, manter distância do presidente americano pode ser uma necessidade indispensável, nesse momento, para o presidente brasileiro.
Trump está com as mãos sujas de sangue.
Aperta-las é comprometedor, sabendo que ele, puxado por Benjamin Natanyahu, genocida-chefe do governo de Israel, iniciou um conflito, cujas motivações não estão claras sequer para o Congresso dos EUA, não consultado para autorizar ou não a guerra.
Apertar a mão de Trump, agora, seria fazer o mesmo que o chanceler alemão, fulano de tal, que, na Casa Branca, avalizou a guerra comandada pelo presidente americano.
Do ponto de vista das relações internacionais, a interpretação inescapável é a de que ao visitar Trump, agora, Lula estaria fazendo o mesmo que o chanceler alemão, ou seja, simpatizar com as ações de um imperador criminoso de guerra.
Cumprimentar Trump, em tais circunstâncias, seria, também, comprometer-se com alguém que se revela contraditório consigo mesmo.
Afinal, não foi o próprio Trump que afirmou que não iniciaria mais nenhuma guerra dos Estados Unidos com nenhum outro país?
A contradição trumpista se mostra explícita se comparada com o comportamento do presidente americano no seu engajamento favorável ao fim da guerra na Ucrânia.
O encontro que teve com o presidente russo, Vladimir Putin, no Ártico, para comprovar seu esforço pro-paz, revelou isto.
Da mesma forma, Trump deixou claro posição de pacifista diante da União Europeia ao conclamar os europeus a se alinharem ao seu pacifismo expresso na defesa de desengajamento da OTAN na participação no conflito na Ucrânia.
A defesa de Trump junto aos países europeus para que elevem para 5% o percentual do seu PIB em defesa, de modo a aliviar a participação dos Estados Unidos na OTAN, foi, igualmente, comprovação da sua posição pró-paz em vez de pró-guerra, conforme prometera em campanha eleitoral.
LULA X TRUMP: INTERESSES DIVERGENTES
Porém, toda essa retórica trumpista pró-paz caiu por terra, agora, quando, sob pressão do sionista Netanyahu, resolve iniciar guerra contra Irã, sabidamente um país que não representa perigo algum para os Estados Unidos.
Por isso, se o presidente brasileiro resolve apertar as mãos do presidente americano, que mentiu quanto ao seu propósito pró-paz, mas que, na verdade, agora, vira pró-guerra, poderia ou não ser visto como comprometido com aquele que está jogando o mundo na instabilidade econômica e política total?
Não seria melhor para Lula, que inicia, nesse momento, campanha eleitoral, condicionar sua visita à Casa Branca ao fim da guerra?
Visitar Trump em plena guerra, contra a qual o Brasil não tem nada a ver, seria ou não contraproducente, quando Lula busca nas urnas o quarto mandato/
Poderia ou não ser confundido pelo eleitorado como alguém que indiretamente esteja apoiando a guerra, repetindo o gesto do seu adversário, nas eleições, Flávio Bolsonaro, já engajado no apoio a Trump e à guerra, cujo objetivo não interessa ao povo brasileiro de forma alguma?
E se a guerra perdurar durante este ano, a aproximação com Trump não representaria fator mais negativo do que positivo para os interesses políticos de Lula na disputa eleitoral contra Bolsonaro, que proclama abertamente apoio ao chefe da Casa Branca, presidente da guerra?

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