Recuperação emergencial do poder de compra do trabalhador para garantir quarto mandato Lulista. Por César Fonseca

0
41
Foto Agência Brasil
As pesquisas eleitorais revelam que o governo Lula sofre desgaste por conta da insatisfação do trabalhador com o fato de que está sobrando mês no seu salário, solapando seu poder de compra, simplesmente, porque ele renunciou, no seu terceiro mandato, à sua maior conquista histórica.
Chegou, então, a hora, de 1 – um abono salarial familiar emergencial, 2 – aumento emergencial do bolsa família e 3 – redução também emergencial dos juros.
Antes do golpe neoliberal dos governos Temer e Bolsonaro, a política salarial, construída como maior triunfo político do Lulismo, era progressista: garantia reposição da inflação (IPCA) + acumulado do crescimento do PIB nos dois anos anteriores.
Com essa conquista histórica, a política salarial antineoliberal, que o presidente petista introduziu no seu segundo mandato, reduzia-se, significativamente, a contradição, que existe, permanente, no capitalismo, entre mercadoria e dinheiro.
Como se sabe, no sistema capitalista, o trabalhador, na sua extensa jornada de trabalho, produz valor superior em forma de mercadoria do que o valor que recebe em forma de salário.
Desse modo, o valor inferior em forma de salário não consegue comprar a totalidade do valor que produz em forma de mercadoria, desequilibrando-se o sistema entre oferta e demanda.
O real concreto e objetivo é que não existe equilíbrio no sistema capitalista entre oferta e demanda, conforme Lei de Say(Jean Baptiste Say), de que toda oferta gera demanda correspondente, por uma razão simples: o capitalista precisa retirar mais dinheiro do que põe em circulação, para produzir mercadoria, a fim de obter lucro.
O lucro sai da exploração da jornada de trabalho em forma de extração da mais valia.
A demanda se equilibraria à oferta, se não houvesse o lucro na equação, conforme destaca Marx, desmentindo, portanto, a Lei de Say.
O equilibrismo monetarista, portanto, é mera ficção neoliberal.
CONTRADIÇÃO INSANÁVEL DO CAPITALISMO
Aprofunda-se, continuamente, a defasagem/contradição entre dinheiro(salário) que o trabalhador recebe e mercadoria(capital) que ele produz, gerando, consequentemente, insuficiência de consumo.
O sistema produz o subconsumismo, para gerar lucro ao capital, desequilibrando, estruturalmente, o sistema.
Haveria equilíbrio macroeconômico, se o objetivo do capital fosse o equilíbrio no sistema capitalista; como não é, porque o que o capital visa, essencialmente, o lucro em escala cresce, o resultado é o desequilíbrio permanente entre oferta x demanda, dinheiro x mercadoria.
REFORMISMO CAPITALISTA LULISTA
A política salarial que o presidente Lula criou – como conquista histórica social do trabalhador, em governo de um metalúrgico, que representa o polo do trabalho versus o polo do capital – havia diminuído, relativamente, a distância entre mercadoria e dinheiro, para amenizar a exploração do capital sobre o trabalho, de modo a evitar aprofundamento entre oferta e demanda, estabilizando pressões inflacionárias.
A reposição da inflação + o acumulado de 2 anos do PIB, elevou, historicamente, o perfil progressista do poder de compra dos salários, valorizando a escada salarial em geral, no cenário da força de trabalho nacional.
Com isso, o governo Lula, do ponto de vista do trabalhador, diminuiu a extração da mais valia que o capital impõe, como exploração, sobre o trabalho, como explorado.
O Lulismo, politicamente, ganhou coração e mente do trabalhador com essa histórica política salarial, que permitia sobrar e não faltar salário no final mês, gerando sensação de verdadeira distribuição de renda.
Tal situação, que permitia o trabalhador se manter sustentavelmente no crédito direto ao consumidor, mudou quantitativa e qualitativamente, em 2024, com alteração da política salarial progressiva/progressista, tornando-a política salarial estacionária/estabilizadora, relativamente, regressiva.
Foi retirada a conquista politicamente progressista, expressa no acumulado do crescimento do PIB nos dois anos anteriores, permanecendo, apenas, a reposição do IPCA, em nome do ajuste fiscal, realizado, somente, sobre os gastos sociais (menos de um 2% do PIB), excluindo os gastos financeiros (cerca de 8% do PIB), para beneficiar os rentistas no cenário da economia financeirizada especulativa.
TRABALHO PRECARIADO
Tal mudança na política salarial – de progressista para estacionária/regressiva – aprofundou a contradição entre mercadoria e dinheiro, piorando a qualidade de vida do trabalhador, precarizando as condições de trabalho.
Tudo deteriorou, ainda mais, sob o neoliberalismo golpista bolsonarista fascista (2018-2022), especialmente, depois da supressão das conquistas sociais democráticas, asseguradas na Constituição de 1988, graças ao golpe neoliberal de 2016, responsável por acelerar a privatização das empresas estatais, bases da sustentação e estabilização econômica, que afetou, negativamente, os investimentos.
Suprimidas as conquistas sociais e econômicas democráticas, os salários, sob o neoliberalismo bolsonarista, sofreram defasagens crescentes, para valorizar adicionalmente o capital; aprofundou-se o peso da extração da mais valia – arrocho salarial – sobre o poder de compra dos trabalhadores, que começou a ser, relativamente, minado.
Aumentou, do ponto de vista do trabalho, a contradição entre mercadoria e dinheiro, com o trabalhador sentindo, duramente, o maior peso da exploração da mais valia, em forma de redução de salário, de um lado, e de desigualdade social, de outro, intensificando concentração de renda.
Foi, então, que passou a sobrar mais mês no salário, em escala crescente.
A mudança da política salarial progressista lulista, a partir de 2024, acelerou a contradição marxista entre dinheiro e mercadoria, precarizando a vida dos trabalhadores, enquanto o governo Lula, no seu terceiro mandato, sob pressão neoliberal do mercado financeiro associado a um Congresso semipresidencialista reacionário, renunciou à sua mais importante conquista histórica: a política salarial progressista anti-neoliberal.
ENDIVIDAMENTO CRESCENTE
Nesse contexto, os trabalhadores, para cumprir seus compromissos financeiros, afetados pela precariedade crescente do seu poder de compra, ficou obrigado, desde a mudança da política salarial progressista, a endividar-se no cartão de crédito, sob juro elevado, de forma incontrolável, piorando sua qualidade de vida.
Eis porque o maior desafio do presidente Lula, agora, quando começa a campanha eleitoral, é o de renegociar, urgentemente, as dívidas acumuladas pelos trabalhadores, para amenizar a contradição entre mercadoria e dinheiro que a taxa de juro extorsiva acelera.
Se essa contradição não se ameniza, rapidamente, a oposição fascista tende a se beneficiar, como mostram as pesquisas eleitorais, que já apontam vantagem técnica dela na disputa em segundo turno nas eleições de outubro.
Elas revelam que a economia, do ponto de vista do capitalista rentista neoliberal, vai bem, mas, do ponto de vista do trabalhador superexplorado pelo juro alto, vai mal.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here