Comentei sobre isso faz algum tempo, e hoje achei o texto… Então, lá vai:
Em 1913, o médico Carlos Chagas foi indicado ao Nobel de Medicina, mas o governo brasileiro interveio e disse que ele não poderia ser indicado “roubando” a possibilidade de candidatura de Oswaldo Cruz (que nunca quis se candidatar); em 1921, Oswaldo Cruz já havia morrido, e Carlos Chagas, já sucessor de Oswaldo na direção da Fiocruz,foi novamente indicado, mas aí foi o governo quem disse que “sua pesquisa não era importante, e foi baseada na de um médico cubano, dr. Carlos Finlay” (A razão real era que Chagas havia imposto aos funcionários da Fiocruz que assinassem o ponto e cumprissem a carga horária de trabalho, como todo mundo).
Em 1925, Albert Einstein escreve ao parlamento da Noruega propondo que o Nobel da Paz fosse dado ao Marechal Rondon, por seu trabalho de integração nacional. O governo brasileiro disse que “militares que recebem premiação estrangeira estão traindo a Pátria”, inviabilizando a candidatura de Rondon.
Em 1946, 51 e 53 Manoel de Abreu, inventor da abreugrafia, método barato de prevenção da tuberculose, foi indicado ao Nobel de Medicina. Em todas as vezes, o Itamaraty não se mexeu pela candiatura, porque consideravam que Abreu era “comunista”. O mesmo aconteceu com o físico Mário Schenberg, em 1983; e com Otto Gottlieb em 1999.
Mas o caso mais interessante foi o de Peter Brian Medawar, filho de libaneses e nascido em Petrópolis, estava estudando Medicina em Oxford, quando teve sua nacionalidade cassada pelo pres. Dutra em 46, porque não regressara ao Brasil “apenas” para fazer o alistamento militar; ele ganhou o Nobel de Medicina em 1960, como súdito de Sua Majestade Britânica e, no discurso de posse, feito em português, dedicou sua vitória ao referido presidente…
Houve, no entanto, alguns casos em que se tentou promover a candidatura de brasileiros para a paz e para a literatura, mas a coisa nunca prosperou: Irmã Dulce, d. Paulo Evaristo Arns, Alceu Amoroso Lima, Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado estavam sempre no páreo.
Aliás, Drummond e Jorge Amado foram “convencidos” a abrirem mão de concorrer, em favor de Saramago; que sempre impusera que seus livros fossem publicados no Brasil usando a ortografia portuguesa, “a única que tinha valor”.
Não é à toa que um dos funcionários do comitê do Nobel disse a um embaixador brasileiro que “o Brasil é um cemitério de reputações em permanente campanha para que seu povo jamais tenha orgulho de si mesmo…”

