Tehran Times – Verdade Direta. Por Sahar Dadjoo

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Em entrevista exclusiva ao Tehran Times, Pierfrancesco Callieri, professor de arqueologia iraniana na Universidade de Bolonha e diretor de diversas missões arqueológicas ítalo-iranianas em Persépolis e Pasárgada, examina as dimensões simbólicas e psicológicas dos ataques a marcos culturais, os desafios da restauração de monumentos danificados por explosões e as obrigações da comunidade internacional perante convenções como a Convenção de Haia de 1954. Callieri também reflete sobre as implicações mais amplas desses ataques para a identidade nacional do Irã e para o patrimônio cultural global.
Após relatos de danos a locais como o Palácio Golestan e áreas históricas em Isfahan, como você avaliaria a importância cultural global desses locais e as potenciais consequências de seus danos?

Esses são dois locais importantes, ambos situados em cidades que serviram como capital da Pérsia (como o Irã era conhecido internacionalmente até 1934) em dois períodos distintos: o Palácio Golestan fica em Teerã, capital da Pérsia durante a dinastia Qajar (final do século XVIII ao início do século XX), enquanto a Praça Naqsh-e Jahan, com os esplêndidos edifícios que a ladeiam, é atribuída a Shah Abbas, o principal governante da dinastia Safávida (séculos XV-XVIII), a quem devemos a construção do precursor do Irã moderno.
(…)
Acredita que o ataque a monumentos culturais durante o conflito faz parte de uma estratégia mais ampla de guerra psicológica ou simbólica?

(…)
O principal fator incriminador é a escolha inegavelmente simbólica das duas capitais persas para os dois primeiros ataques; mas ainda mais decisivo é o fato de que, já em 2020, Donald Trump ameaçou destruir 52 sítios culturais no Irã. Para um povo culto e tão interessado em sua história quanto os iranianos, a ameaça foi insuportável, revelando a intenção de Trump de travar uma guerra psicológica.

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