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Há, nesse momento, uma disputa surda dentro do governo Lula sobre quem comandará negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
De um lado, está o Itamarati como órgão oficial para conduzir assuntos de Estado, no campo da diplomacia.
Os encontros realizados entre Lula e Trump foram agendados até agora pela equipe do chanceler Mauro Vieira, cumprindo protocolo das relações externas.
Vieira reuniu-se com Marco Rúbio, chefe do Departamento de Estado, para concertação dos problemas politicos e econômicos como no caso das tarifas.
Agora, porém, relativamente, à punição às organizações criminosas, transformadas em organizações terroristas pelo governo Trump, surgiu complicadores nas relações entre Fazenda e Itamarati.
O temor de que a Casa Branca venha utilizar legislação extraterritorial americana para punir terroristas cria pânico no sistema financeiro.
Os banqueiros, por isso, entendem que o Ministério da Fazenda que, com o Banco Central, regulam suas relações com o governo, precisa ser participante ativo na negociação.
O x da questão que alarma a banca é o seguinte: as organizações criminosas, doravante tidas como organizações terroristas, têm disseminadas na rede bancária suas transações financeiras criminosas.
A Operação Carbono Oculto, desvendada pela Polícia Federal, revelou teia de negociações criminosas(terroristas?) realizadas pelo PCC junto aos bancos, Fintecs, corretoras, fundos de investimentos etc.
Ao lado dessas relações financeiras variadas operadas pelo crime organizado/terrorista, a PF identificou lavagem de dinheiro, fraudes, sonegação, contrabando de combustíveis, transações internas e externas, exportação de capitais para paraísos fiscais etc.
O meio de pagamento preferencial, invariavelmente, utilizado pelos criminosos é aquele que o governo Trump quer destruir: o PIX.
Eis porque o ministro da Fazenda, Dario Durigan, preocupado com o destino do PIX, meio de pagamento revolucionário criado pelo governo brasileiro, disse que pretende discutir esse assunto com o Secretário do Tesouro americano, Scott Besson, correspondente a ministro da Fazenda dos Estados Unidos.
O PIX, que caiu nas graças da população, é, segundo o presidente Lula, inegociável, dirá Durigan a Besson.
A prerrogativa política diplomática para tratamento desse tema crucial, porém, é de Durigan, Fazenda, ou de Vieira, Ministério das Relações Exteriores?
Trata-se de assunto de Estado, hierarquicamente, tocado pelo Itamarati, nas negociações externas, ou de politica econômica, limitada às relações internas, com os agentes comerciais, industriais e financeiros?
Eis a questão que envolve, de um lado, diplomatas, ciosos de suas prerrogativas institucionais, e, de outro, a burocracia fazendária, incensada pelos banqueiros, cuja influência sobre a política econômica, no cenário da financeirização especulativa, é decisiva.
Diplomacia e economia se embaralham na discussão das tarifas, meio de pagamento, organizações criminosas/terrorismo etc.
O presidente Lula, certamente, será o fiel da balança, já que decidiu tentar encontrar-se com o presidente Trump, na próxima reunião do G7, na Franca, na qual o Brasi participa como convidado.
Inicialmente, disse que não pretendia ir à reunião, mas com a emergência dos problemas criados por Trump que ameaça a economia e a soberania nacional, resolveu viajar.
Antes, no entanto, quer ter a certeza do acerto de uma agenda definida, para não correr risco de surpresa desagradável, já que Trump não é de confiança, como tem demonstrada sua atitude nas relações com todos os países com os quais abre polêmicas potencialmente exposivas.
Lula está naquela de que seguro morreu de velho, quando se vê diante do laranjão americano.

