Democracia, Soberania Nacional E Os Processos Que Quase Levaram O Brasil A Ser Submetido A Um Estado Miliciano. Por Ricardo Guerra 

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O Brasil esteve muito perto de permitir chegar ao Palácio do Planalto um projeto de poder marcado pelo envolvimento com o crime organizado, com derivações relacionadas com milícias e o narcotráfico, e imbricações em determinadas igrejas neopentecostais utilizadas para lavagem de dinheiro e a propagação de uma ideologia de dominação vinculada a um discurso torto de prosperidade nada compatível com o evangelho de Jesus. 

Por trás de tudo isso e, alimentando todo esse processo, estão os interesses da plutocracia mundial capitaneados pelo imperialismo estadunidense (em derrocada) e sua investida pesada e desesperada pelo retorno da doutrina Monroe, agora sob o comando de Donald Trump denominada doutrina Donroe, que aposta para atingir seus escusos objetivos no tecnofeudalismo, e assim influenciar o comportamento das massas, manipular o debate público e ameaçar a soberania dos povos.

Ou seja, aprofundar ao máximo o controle sobre a economia e sobre a circulação das informações, transformando esses dados em poder político dos poderosos, aportados diametralmente contrários aos interesses dos trabalhadores, das pessoas menos favorecidas e do desenvolvimento humano e social dos povos e da população humana em geral.

É dessa forma que seguem avançando sobre a América Latina — a qual consideram parte do seu quintal, em busca de suas riquezas naturais e mercados para instalação de suas empresas, concomitantemente a destruição de direitos trabalhistas e sociais através da precarização extrema das condições de trabalho, criando e cooptando lideranças locais (desavergonhados traidores), que fazem todo o trabalho sujo — contando com a parcimônia e o apoio da comprada e entreguista mídia local, simplesmente para garantir o acúmulo cada vez maior e insaciável de riqueza no topo da pirâmide social (correspondente a 0,1% da população mundial).

Sob o velho lema de guerra, dividir para governar, promovem movimentos de calúnia, difamação e ódio contra aquilo e aqueles que se colocam contra esse projeto de lesa-pátria e se posicionam em defesa dos interesses nacionais, sejam eles oriundos de espectros políticos orientados à esquerda, ao centro ou à direita, tentando colar neles (descaradamente) a pecha de comunistas, de anti cristãos e anti patriotas, acusando-os, em sua maioria das coisas, de tudo aquilo o que eles é que realmente são e fazem.

Assim, fizeram ascender aqui no Brasil um movimento muito bem planejado e arquitetado contra o Partido dos Trabalhadores, o denominado antipetismo, enquanto paralelamente exaltavam falsos patriotas, geralmente envolvidos nos piores tipos de negociatas e falcatruas, como é o caso da família Bolsonaro.

A partir daí fica fácil entender como a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018 e, agora em 2022, do mais corrupto dos seus filhos (Flávio Bolsonaro) à presidência avançou sem o necessário escrutínio público — tendo em vista que, desde o início, foram amparadas pelo antipetismo de setores da mídia (acima explicado). 

Um processo que se aprofundou ainda mais após a ascensão da internet e das mídias digitais, quando todos os tipos de jogadas e manipulações foram potencializadas em consórcio com a mídia tradicional, ficando cada vez mais fácil aos representantes do capital transnacional (sob a égide do imperialismo estadunidense) atrair a atenção pública e “conquistar seguidores” através do uso de algoritmos manietados por minuciosas operações psicológicas contra os verdadeiros nacionalistas em favor da plutocracia internacional — no bojo daquilo que os estudiosos chamam de “guerra híbrida”.

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos é um claro exemplo de como a toda essa coisa funciona e reforça a necessidade de esclarecer as acusações que o envolvem, e evidencia o risco que  o Brasil passou de ter um governo que pretendia utilizar as instituições do Estado para proteger o governante (caso fosse empossado), assim como os seus aliados em fuga e/ou enrolados num emaranhado de crimes, visando interromper investigações, bem como beneficiar os condenados pela trama golpista já implementada na eleição anterior, em 2022.

Inclusive, nesse exato momento, sob o falso pretexto de perseguição política, estão agindo agora para tentar desviar a atenção da gravidade das evidências e acusações que precisam ser esclarecidas sobre ele e o submundo do crime que o circunda.

Além disso, a descolada da realidade e nunca auditada dívida pública do Brasil, representa a cereja do bolo de todo esse esquema para saquear o nosso país, constantemente atacado por um enganoso sistema de pagamento e a instituição fictícia criada para dar um falso ar de credibilidade a tudo isso — o tal do mercado financeiro —  instituição que sufoca a capacidade do Brasil de investir no seu desenvolvimento econômico e social e nos põe de joelhos, dependentes daqueles que saqueiam nossas riquezas e inviabilizam o futuro do país.

Por tudo isso, é tão importante e necessário compreender que a vitória de Lula salvou a democracia no Brasil, não apenas uma vez, mas duas. Afinal, a atual eleição, assim como a anterior (em 2022), impediu que o banditismo chegasse ao poder, transformando o Brasil em uma autocracia entreguista, formatada como um verdadeiro Estado miliciano, ameaçando as instituições, a soberania nacional e o futuro do povo brasileiro.

Dessa forma, pelo menos por enquanto, prevaleceram a soberania nacional, a democracia e a esperança de um Brasil a serviço de seu povo.

Mas, uma vitória eleitoral, por si só, não garante o nosso futuro.

Sem investir na formação da consciência de classe, na organização popular e na compreensão das relações entre geopolítica, interesses econômicos e governança nacional, continuaremos vulneráveis às forças que tentam subordinar o Brasil a interesses alheios aos de sua população. E a pergunta que fica é: “até quando conseguiremos resistir se não transformarmos a vitória nas urnas em consciência política, organização popular e um projeto permanente de soberania nacional?

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