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As boas relações governamentais entre o Brasil e a China podem render um maior fluxo de turistas estrangeiros ao Brasil. O presidente Lula da Silva comunicou ao seu contraparte chinês, Xi Jinping, que irá revogar a exigência de vistos de turistas procedentes do país oriental. De pronto, a noticia inflamou o interesse de chineses em vir conhecer o Brasil e para surpresa de muitos, Brasília foi destaque nesse novo interesse turístico.
Nín hǎo huān yíng (olá, seja bem-vindo).
Se você é um player do turismo internacional, prepare seu Mandarin, pois tudo indica que em 2026 os turistas chineses vão fazer a diferença. O jornal chinês Global Times informa que, nas plataformas de turismo, explodiram as buscas por viagens de curta duração de chineses ao Brasil. Tudo em decorrência de uma conversa, dia 23, entre o presidente Lula e o premiê Xi Jinping. Nela, o mandatário brasileiro antecipou que o Brasil vai suspender a exigência de vistos para turistas chineses. Após a divulgação da conversa pela agência de notícias estatal chinesa, Xinhua, as buscas aumentaram em mais de cinco vezes em relação à semana anterior.

O Global Times informa que Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília são os destinos mais procurados. O crescimento das buscas para Brasília teria aumentado em 84%, reforçando a expectativa de forte crescimento do fluxo turístico entre China e Brasil, por ocasião do Festival da Primavera de 2026. O Festival reúne os festejos do Ano Novo Chinês, cuja celebração começa dia 17 de fevereiro e se prolonga por nove dias de feriado. Rio de Janeiro e São Paulo foram os outros destinos preferidos, tendo tido alta de 27%, e 22%, respectivamente. O turista chinês, informa a Embratur, foca o ecoturismo, turismo de observação de vida silvestre, cultural e gastronômico.
Ainda não há uma data certa de quando o fim da exigência do visa entrará em vigor. O Itamaraty informa que as chancelarias das duas nações estão em “negociações técnicas”. A decisão é uma retribuição, dentro do princípio diplomático da reciprocidade, à China, que em 1º de junho do ano passado, eliminou a necessidade de vistos para brasileiros. Segundo a Qunar, uma das principais agências de viagens online da China, os turistas interessados em conhecer o Brasil são majoritariamente provenientes das cidades de Pequim, Xangai, Guangzhou, Chengdu, Xiamen, Hangzhou e Shenzhen.
Surpresa
De certa forma, o interesse por Brasília surpreendeu a Embratur. “Recebemos esses dados com muito entusiasmo. O interesse por Rio e São Paulo já é consolidado pela força do lazer e dos negócios, são os destinos mais conhecidos do Brasil no mundo. Mas ver Brasília no topo das buscas confirma o que indicam os nossos dados sobre o perfil qualificado do turista chinês que busca o Brasil, interessado em arquitetura, patrimônio e no peso político que a nossa capital carrega” comentou ao blog o presidente da Embratur, Marcelo Freixo. Embora considere ainda cedo para para precisar números de novos turistas, a secretária de Turismo do DF avalia que a expectativa é de crescimento consistente ao longo do ano. “O fato de Brasília estar entre os três destinos mais buscados é extremamente significativo” – comentou a esse blog o secretário de Turismo do DF, Cristiano Araújo.
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A China será o quarto país, dos cinco fundadores originais do bloco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a cujos nacionais não são exigidos vistos de turista. Somente a Índia ainda permanece com a exigência da autorização prévia aos viajantes de curta duração.
Fluxo chinês
Anualmente, cerca de 150 milhões de chineses viajam ao exterior e injetam, nas economias dos locais que visitam, cerca de US$ 165 bilhões, equivalentes a quase R$ 1 trilhão. Números inimagináveis na realidade nacional, que ano passado recebeu 9,3 milhões de turistas vindos de fora. Em relação aos chineses, embora tenham ocorridos avanços, ainda é irrisória a presença deles no Brasil. Em 2025, 103.122 mil visitantes sinos vieram para o Brasil, uma alta de 34.76%, face aos números de 2024, quando o país recebeu 76.524 turistas do país asiático. Os números de Brasília são ainda mais risíveis: apenas 262 viajantes do país oriental que chegaram via aeroporto JK, em 2025.
“A decisão de eliminar a exigência de vistos para turistas chineses abre uma oportunidade muito relevante para Brasília. Trata-se de um público numeroso, com alto poder de consumo e acostumado a padrões elevados de organização e experiência urbana” – comenta o presidente da seção DF da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIHDF), Henrique Severien.
Tanto Brasília, quanto o Brasil, como um todo, precisam aproveitar essa conjuntura com muito profissionalismo e deixar o improviso de lado. O turista sino, é diferenciado daquele que o Brasil está acostumado a receber. “Trata-se de uma cultura bastante distinta da nossa, com diferenças significativas que envolvem comportamento, alimentação, religião e dinâmica de consumo, possuem um alto poder de consumo e estão acostumados a padrões elevados de organização e experiência urbana – acrescenta Severien. “Reconhecemos que esse novo cenário exige avanços específicos para atender melhor esse perfil de visitante. sempre é possível avançar com melhorias, ampliando, por exemplo, a qualificação dos profissionais do setor para compreender melhor o perfil cultural e as expectativas desse visitante” – afirmou Araújo.
Capital Federal
Brasília registrou a visita de 111 mil turistas, em 2025, a grande maioria dos países vizinhos. Para a indústria hoteleira candanga, essa é, pois, uma oportunidade muito relevante. Entretanto, aqui em Brasília, a cidade precisa fazer seu dever de casa. Os Setores Hoteleiros Sul e Norte, onde estão concentrados os hotéis de bandeiras internacionais, precisam avançar em um processo mais estruturado de requalificação, envolvendo acessibilidade, padronização, paisagismo e organização do espaço urbano. Essa preocupação já foi levada às autoridades do GDF.
“Investir em capacitação com foco em idioma, cultura e experiências personalizadas contribui diretamente para aprimorar a experiência do turista e fortalecer a imagem de Brasília como um destino preparado, acolhedor e internacional – analisa o titular da Setur-DF. “Se o objetivo é preparar Brasília para receber melhor o turista chinês, esse conjunto de ações — tecnologia, intermediação, qualificação e requalificação do Entorno — precisa caminhar de forma integrada, sempre com o olhar da internacionalização” – conclui Severien. “Ampliar o número de guias também pode ser uma estratégia importante.
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Burocracia
Especialistas do setor de turismo avaliam que a isenção de visto tende a reduzir barreiras de viagem e aumentar a disposição dos turistas chineses para visitar o Brasil. A expectativa é que o país consolide sua posição como um dos principais destinos de longa distância para esse mercado.
Embora a eliminação do visa produza um efeito psicológico importante – para o turista chinês obtê-lo, tem que enfrentar um processo burocrático, que exige até visita presencial à embaixada brasileira em Pequim – ela por si só não vai mudar a realidade dos fluxos turísticos chineses. É preciso montar uma estratégia de sensibilizar o cidadão sino a escolher nosso país como destino;
O Ministério do Turismo em parceria com a Embaixada da China, tem adotado iniciativas para estimular e organizar o fluxo de grupos turísticos. No ano passado, foram credenciadas 333 agências brasileiras – seis eram de Brasília – interessadas em organizar viagens em grupo ao Brasil, em 2026. As autoridades ainda alertam aos atores do setor turismo quanto às diferenças culturais e tecnológicas que devem ser observadas, como por exemplo as plataformas de pagamento mais utilizadas pelos chineses, além das limitações da língua.
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A Embratur quer dar um “empurrãozinho” para que essa curiosidade sobre Brasil se materialize efetivamente em mais turistas. Foi lançada a plataforma Brasil Travel Specialist totalmente em mandarim para capacitar agentes de viagens na China. E, depois de 7 anos sem realizar nenhuma ação de promoção naquele país, a Embratur retomou no ano passado a participação brasileira na ITB China, em Xangai, e neste ano se fará presente novamente acompanhada de expositores alinhados com as experiências brasileiras mais desejadas pelos chineses.
“O Brasil voltou ao cenário global com uma diplomacia ativa e sustentável. A China é hoje o maior emissor de turistas do mundo, e o Brasil está posicionado para ser o grande destino sul-americano para esse público” – comenta Marcelo Freixo. Entretanto, os dois países precisam resolver um problema estrutural: a conexão Brasil-China. Apenas uma empresa opera nesse eixo. E é uma longa viagem, de 25 horas de duração com uma escala em Madrid, na Espanha.
Vamos buscar as companhias aéreas, para demonstrar como a demanda reprimida de turistas sustenta o lançamento de novas rotas conectando os países, e trabalharmos em parceria na promoção desses novos voos, em especial no Ano Novo Chinês e na Golden Week, em outubro, considerados os momentos em que os chineses realizam suas viagens internacionais mais longas. Essa é mais uma oportunidade para o DF correr atrás e tentar viabilizar que algum dos novos voos, tenham como destino a Capital Federal.

