O mundo vive uma nova corrida estratégica. Não é mais apenas petróleo ou gás; o centro da disputa geopolítica agora são os minerais críticos, especialmente as chamadas terras raras.
Terras raras são insumos fundamentais para carros elétricos, turbinas eólicas, baterias, semicondutores, radares e equipamentos militares:
- O domínio da cadeia global de seu refino e processamento é da China;
- Enquanto os Estados Unidos e a União Europeia buscam desesperadamente alternativas para participar desse processo.
Em meio a tudo isso encontra-se o Brasil. Sentado sobre uma das maiores reservas desses minerais do planeta, o país não pode mais cometer os erros do passado:
- Repetir o padrão histórico de sempre de exportar minério bruto e importar tecnologia pronta, como aconteceu quase sempre com Ferro, Nióbio e Petróleo – exportados como commodity e importados com valor agregado;
- Se fizermos o mesmo com terras raras, perderemos uma oportunidade histórica.
Uma proposta estratégica que tem sido sugerida por nacionalistas desenvolvimentistas é estruturar um Fundo Soberano Nacional vinculado à Emissão de Títulos lastreados em reservas estratégicas, visando a captação internacional direcionada exclusivamente à industrialização da cadeia de minerais críticos.
Parcerias com cláusulas obrigatórias de transferência de tecnologia e instalação de plantas industriais no Brasil são fundamentais, assim como a formação de engenheiros e técnicos brasileiros e o desenvolvimento de pesquisa nacional:
- A Noruega fez isso com petróleo;
- Os Emirados Árabes Unidos estruturaram fundos bilionários para garantir soberania futura;
- E a própria China usou política industrial ativa para dominar cadeias globais.
O Brasil tem vantagens decisivas tais como reservas relevantes, estabilidade institucional e matriz energética relativamente limpa (vantagem competitiva para indústria verde) e nós não podemos perder essa oportunidade.
O que está em jogo não é uma questão apenas de mineração – é Defesa, Transição energética, Indústria 4.0, Inteligência artificial e Soberania tecnológica:
- E se o Brasil estruturar um modelo inteligente, pode atrair empresas europeias e americanas interessadas em reduzir a dependência da China;
- E negociar de posição forte, inclusive com a China, condicionando acesso ao minério ao investimento industrial – e mudar o lugar do Brasil no mundo.
Mas não se pode falar em estratégia mineral mantendo juros estruturalmente elevados, prioridade absoluta ao rentismo e falta de coordenação industrial:
- Reindustrialização exige crédito produtivo, BNDES forte e planejamento de Estado;
- Sem isso, terras raras viram apenas mais um capítulo da reprimarização.
Não é preciso escolher entre soberania e investimento estrangeiro — e é possível atrair capital externo com impacto positivo para o Brasil — desde que se imponha regras. Dessa forma, a oportunidade com terras raras pode ajudar a financiar um salto tecnológico no país.
Enfim, trata-se de visão estratégica, caso contrário, seremos novamente exportadores de riqueza bruta e importadores de futuro:
- O momento é histórico e joga a favor do Brasil;
- Mas temos que ter coragem e planejamento de Estado de longo prazo, mudança na política macroeconômica e capacidade de negociação internacional firme.
Ou seja, o Brasil pode escolher ser fornecedor de insumos ou arquiteto de cadeias industriais:
- A questão não está na geologia;
- Está na política econômica a ser escolhida — terras raras não são mineração, são passaporte para soberania.
O século XXI será definido por quem domina tecnologia, não por quem extrai minério.
O Brasil já perdeu ciclos históricos — do ouro ao petróleo — e com as terras raras, talvez seja a última oportunidade de escolher desenvolvimento em vez de dependência.


