Caiado quer chegar ao planalto negociando terras raras com Trump, deslocando Lula. Por César Fonseca

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O governador Ronaldo Caiado (GO-PSD) já trilha o caminho de Washington para conseguir chegar ao segundo turno na disputa eleitoral, primeiro, deslocando o candidato do PL, senador Flávio Rachadinha Bolsonaro, para ir ao embate final, no segundo turno, com o presidente Lula.
Caiado apresenta dois triunfos políticos: 1 – representante legítimo do agronegócio, que representa cerca de 35% do PIB brasileiro, e 2 – negociador do principal ativo de Goiás, as terras raras, com o presidente Donald Trump.
O titular do Palácio das Esmeraldas se adiantou ao titular do Planalto, presidente Lula, mostrando-se pragmático inescrupuloso, propenso à negociação com o titular da Casa Branca, numa linha de subordinação à lá Javier Milei, presidente da Argentina.
Diferente de Lula, que coloca a negociação das terras raras, condicionada à Soberania Nacional, como ponto de partida para relação com Trump, Caiado vai no rumo oposto.
O governador de Goiás se mostra não estar nem aí para o tema Brasil Soberano.
Atuou, totalmente, à revelia do interesse nacional, ao fechar acordo com representantes de Trump, em coordenação com Embaixada Americana, como se a representação de Goiás, no contexto legislativo, sobrepujasse, institucionalmente, o governo federal no cenário federativo.
A União, de acordo com os negócios entabulados pelo governador Caiado com os americanos, foi passada para trás, como se não existisse a hierarquia republicana, submetida aos interesses de um estado da Federação.
A parte – um estado federativo – sobrepôs-se ao todo, ou seja, à União, ao Estado nacional.
ATOR POLÍTICO INCONSTITUCIONAL
Caiado fere de morte a Constituição ao submeter o Brasil, como nação, aos interesses exclusivos de Goiás, como mera parte de um todo institucional, no plano da Federação.
Do ponto de vista da Constituição, a negociação de Caiado, com os Estados Unidos, para vender terras raras goianas ao governo americano, é uma aberração constitucional.
Agora, como candidato do PSD, liderado por Gilberto Kassab, à presidência da República, ele, aparentemente, coloca-se como aquele que se auto credencia, no âmbito da disputa eleitoral, como negociador, pretensamente, autorizado para dar continuidade, durante a própria campanha, à negociação das terras raras com o presidente dos Estados Unidos.
Flagrante usurpação do poder, com o governador goiano atuando como falso chefe da nação na condição de governador estadual, perante o verdadeiro presidente, constitucionalmente, constituído, Luís Inácio Lula da Silva.
O fato soa como verdade, representando total aberração, enquanto o governo federal não toma, até agora, nenhuma providência legal, denunciando a flagrante ilegalidade de uma negociação espúria.
Judicializar a questão, perante o Supremo Tribunal Federal, é imperativo categórico.
Enquanto não for denunciada tal usurpação, levada adiante, inconstitucionalmente, por Caiado, ela tende a ser percebida como consentida pelo próprio governo federal, que está de braços cruzados diante da ousadia de Caiado.
Pragmaticamente, Trump, certamente, está se considerando autorizado a ir adiante com uma negociação que é considerada estratégica para os Estados Unidos.
Por essa razão, interessa a Trump que Caiado seja vitorioso na disputa eleitoral, indo para o segundo turno no embate com Lula.
TRUMP-CAIADO-KASSAB
É de se prever que Washington passe a apostar suas fichas em Caiado, mobilizando, através da Embaixada Americana, todas as forças de direita e ultradireita, para ajudar eleger o governo de Goiás contra Lula?
Kassab, presidente do PSD, apressou-se, na última semana, a se desvencilhar do governador do Paraná, Ratinho Junior, para substitui-lo por Ronaldo Caiado.
Contribuiu, decisivamente, para essa decisão kassabiana os rumores de que Ratinho Junior estaria envolvido na corrupção do Banco Master.
Daniel Vorcaro, dono do Master, teria sido o operador do empresário Tanure, na privatização de empresas estatais paranaenses, como a Copel, conforme denúncia de Roberto Requião, ex-senador e ex-governador do Paraná.
Com medo do escândalo estourar na campanha eleitoral, Ratinho Junior, candidato do PSD, para eventual terceira via entre Lula e Flávio Rachadinha, preferiu abandonar a disputa, levando seu mandato de governador paranaense até o fim.
Diante desse novo contexto, o governador Ronaldo Caiado ocupou o vácuo deixado por Ratinho e já se posta como candidato apoiado pelo presidente Trump, a fim de deslocar Flavio Rachadinha, para tentar chegar ao segundo turno, a fim de disputar com o adversário presidente Lula.

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