Mais dinheiro no bolso do trabalhador para melhorar humor popular nas pesquisas de opinião. Por César Fonseca

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Foto EBC
Está evidente que falta molhar o bolso do trabalhador para melhorar seu poder de compra, porque o salário-mínimo está baixo demais, um dos mais baixos do mundo, segundo a Cepal.
Só perde para a Venezuela na América Latina.
Isso, evidentemente, explica o mal resultado apresentado nesta segunda, 30 pela pesquisa Nexus-BTG: 45% aprovam o governo, 35% consideram ótimo ou bom, mas 51% desaprovam, enquanto 4% não opinaram.
Vai ser necessário, no mínimo, um abono salarial, para o pessoal de carteira assinada, e um reforço nos programas sociais, distributivos de renda.
Não saiu penduricalho para os bacanas?
Por que não pode sair para os que amargam a dureza da vida no andar de baixo?
É a receita certa para o “faz-me rir” contra a realidade cruel que faz com que esteja faltando salário no bolso, já no início da segunda quinzena do mês dos assalariados.
O trabalhador entra em estresse, em tais condições, porque sente a necessidade de entrar no cheque especial ou cartão de crédito, o que aumenta seu endividamento, já saindo pelo ladrão, todo mês.
Essa angústia diária piora sensivelmente a qualidade de vida da cidadania, o que reflete nas pesquisas de opinião.
Certamente, a economia, segundo IBGE, está estável, a oferta maior que a demanda, sustentando inflação baixa, enquanto não se pode reclamar de desemprego.
Contudo, como acontece desde Governo Bolsonaro(2018-2022), que acabou com conquistas sociais, os salários baixos castigam os trabalhadores, para garantir mais valia crescente aos capitalistas.
Estes, diante da demanda menor que a oferta, elevam os preços para manter constante sua taxa de lucro, e, assim, se ela continua caindo , perigosamente, com aumento dos estoques, correm para o mercado financeiro, a fim de ganhar, especulativamente, na Selic de 14,75%, frente inflação de 4,3%.
A percepção negativa do trabalhador piorou, ainda mais, com essa guerra do petróleo imperialista de Donald Trump contra o Irã.
O aumento do preço do diesel em cerca de 30% é sinal de que inflação vai subir daqui para final do ano.
Lula tem tentado dividir a conta, meio a meio, com os governadores.
Eles, no entanto, não querem renunciar à receita tributária do ICMS, além de que a maioria deles é adversária do presidente na disputa eleitoral.
A batalha está dura para Lula, que enfrenta uma mídia fascista, empenhada em fazer terrorismo eleitoral, como se vê, relativamente, à Globo, porta-voz de Washington.
SOBERANIA X ENTREGUISMO
Soma-se a isso um bolsonarismo vendilhão da pátria, empenhado em levantar a direita e ultra direita, tanto aqui, quanto nos Estados Unidos, vendendo o fake news segundo o qual Lula passa pano em cima do PCC e Comando Vermelho, organizações criminosas, para que não sejam classificadas por Washington como organizações terroristas, de modo a justificar intervenção americana em território nacional, como aconteceu na Venezuela.
Os filhos de Jair Bolsonaro são os novos Silvérios dos Reis, que se candidatam a entregarem, literalmente, as riquezas minerais brasileiras para os Estados Unidos, com o argumento de que elas são as armas brasileiras que evitarão derrota estratégia americana para os chineses, na corrida tecnológica, dependente das terras raras etc e tal.
Menos mal, porque, afinal, tal argumento antinacionalista facilita o trabalho eleitoral do presidente Lula, para conscientizar a população sobre quem, verdadeiramente, defende o Brasil e quem, descaradamente, o trai pelas costas, na tentativa de ocupar o poder a fim de entregá-lo de bandeja para Tio Sam.
GUERRA É INCOMPATÍVEL COM O ARCABOUÇO NEOLIBERAL
O fato, no entanto, é que a guerra trumpista, que coloca o mundo em instabilidade total, cria, principalmente, para o capitalismo ocidental, dominado pelos Estados Unidos, mediante tirania do dólar, impossibilidade de sustentabilidade econômica sob o neoliberalismo.
O tripé neoliberal, que levou ao golpe neoliberal pró-americano de 2016, cujas consequências foram produzir a instabilidade na oferta e demanda de combustíveis, graças às mudanças de políticas impostas à Petrobrás, levando à privatização da distribuição e redução de investimentos no refino da gasolina e do diesel, desestruturou os investimentos e a sustentabilidade econômica.
O remédio neoliberal – câmbio flutuante, superavit primário e metas inflacionarias – resultou no rentismo especulativo cujas consequências, agora, em meio à guerra trumpista imperialista fascista, viram armas nas mãos do fascismo, para tentar vencer eleições com apoio do presidente Trump.
TIRO PELA CULATRA
As incertezas, porém, jogam, nesse momento, contra o governo americano, que perde, relativamente, a guerra, porque calculou mal seu andamento, enquanto a popularidade de Trump desaba, sinalizando derrota eleitoral dele em novembro, o que favoreceria democracia contra o fascismo.
O tiro trumpista saiu pela culatra.
Em tal cenário, a relação Brasil e Estados Unidos, que estava prometendo ir bem, antes do início da guerra, ganhou contornos, dramáticos, no cenário eleitoral, porque o presidente Lula, contra o entreguismo bolsonarista, não tem outra alternativa senão afirmar a soberania nacional.
A direita e ultradireita, assim, ficam coladas aos interesses do império contra os do Brasil, os quais Lula está defendendo.
Sem dúvida, será uma disputa eleitoral dramática, que obriga o governo a flexibilizar a economia, para melhorar o poder de compra dos trabalhadores, revertendo seu mal humor contra o governo, como apontam as últimas pesquisas.
Enfim, trabalho duro para o marqueteiro Sidônio, chefe da comunicação de Lula, para reverter as expectativas negativas.
Vamo que vamo, democratas.

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