Arrastão bolsonarista: PL conquista 22 cadeiras na Alerj e assume comando do Rio. Por Ultima Hora Online

A legenda 22 assume controle inédito do Rio com 22 deputados e o governo nas mãos de Bolsonaristas

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Uma ofensiva política que remonta ao berço do bolsonarismo no estado

janela partidária — janela de apenas um mês que autoriza deputados a trocar de partido sem punições — funcionou, para o Partido Liberal, como uma porta giratória do poder. Nos últimos dois dias do prazo que encerrou ontem, a sigla da família Bolsonaro chegou a sua envergadura máxima na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, consolidando uma hegemonia que transforma a política fluminense.

Quatro filiadosNum golpe de mestre — Pedro Ricardo, Marcelo Dino, Fred Pacheco e Chico Machado — assinaram suas fichas de filiação quando a clock marcava os últimos tiques do relógio político. Eles se juntam a Jorge Felippe Neto, filiado dias antes. Com essa movimentação, o PL alcançou a marca de 22 deputados entre os 70 que compõem a Alerj. É um crescimento que representa 31,4% da bancada estadual — proporção que confere ao partido uma capacidade de veto e pressão sem precedentes nas votações legislativas cariocas.

O tabuleiro político se reposiciona

Douglas Ruas é o grande nome dessa reorganização. Eleito presidente da Alerj no fim de março, após a renúncia de Cláudio Castro e a cassação de Rodrigo Bacellar, Ruas tornou-se o vice-governador que ascendeu ao governo. Indicado pelo senador Flávio Bolsonaro — núcleo duro da máquina bolsonarista — o deputado representa a consolidação de uma estrutura que já vinha sendo articulada há meses. Entre os 19 reeleicionistas que pretendem continuar na Alerj, a bancada terá força para moldar agendas e influenciar votes sobre temas cruciais para o estado.

Na Câmara dos Deputados fluminense, o partido segue sua trajetória ascensional. Dani Cunha, filha do ex-presidente da casa Eduardo Cunha, juntou-se às fileiras do PL — um reforço estratégico que conecta gerações de poder político no Rio. Thiago Gagliasso já tem seu destino traçado: disputará uma vaga como deputado federal, ampliando a presença do partido na capital federal.

Um projeto que transcende a Alerj

A movimentação não é aleatória. Valdecy da Saúde, tradicionalmente ligado às políticas sociais, ainda não definiu seu futuro político — mas é improvável que saia das fileiras do PL num momento de consolidação. A sigla projeta chegar a 18 das 46 cadeiras na delegação fluminense na Câmara dos Deputados, número que a colocaria como uma força de primeira ordem na representação do Rio em Brasília.

Essa expansão ocorre num contexto mais amplo. O PL trabalha para “amarrar” partidos — segundo análises políticas — em torno de uma plataforma que combina conservadorismo, liberalismo econômico e populismo de direita. No Rio, particularmente, a estratégia geográfica é clara: controlar a maior bancada estadual é controlar as articulações que vão além da capital, alcançando cidades do interior, da Baixada Fluminense e da região dos Lagos.

O que muda para o Rio agora

Com Douglas Ruas à frente do executivo estadual e uma bancada de 22 deputados na Alerj, o PL tem capacidade de influenciar pautas de segurança pública, educação, saúde e infraestrutura — os temas que mais afetam a população. A concentração de poder em um único partido é rara na história legislativa recente do Rio. A última vez que algo semelhante ocorreu foi em contextos de domínio político singular, e as consequências foram sempre envolvidas em controvérsia.

A aprovação da reforma do Rioprevidência no ano anterior — que autorizou o saque de recursos do fundo previdenciário — passa a ganhar novo matiz quando se vê o PL como força predominante. Decisões sobre royalties do petróleo, sobre o uso de recursos extraordinários e sobre a direção das políticas sociais serão permeadas pela influência dessa bancada. A população fluminense, espectadora dessa movimentação, terá pela frente quatro anos — até as próximas eleições — para avaliar se essa concentração de poder resulta em avanços ou em consolidação de estruturas já criticadas.

Flávio Bolsonaro orquestra

Nos bastidores, o senador Flávio Bolsonaro aparece como maestro dessa sinfonia política. Sua indicação de Douglas Ruas para a presidência da Alerj — e consequentemente para o governo estadual — não é uma coincidência. É parte de uma estratégia que visa garantir espaço e influência num segundo mandato presidencial ou, caso contrário, blindar seus interesses político-eleitorais no Rio. A família Bolsonaro, que tem no Rio um de seus redutos mais sólidos, reforça sua presença a cada janela partidária.

O saldo das movimentações

Enquanto isso, outras legendas sofrem as consequências. Partidos como PP, União Brasil e PMN viram quadros saírem pela porta da frente, levando consigo mandatos e influência. O cenário que se desenha é o de um PL em ascensão, capaz de ditar ritmos na Alerj e projetando-se com força na Câmara Federal. Para quem acompanha a política carioca, a mensagem é clara: o poder mudou de endereço.

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