Parece absurdo, mas candidatos da direita e extrema direita, como Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, estão discutindo a possibilidade de o Brasil flexibilizar (ainda mais) o controle sobre suas riquezas estratégicas — como as reservas de Terras Raras — e fragilizar instrumentos modernos da sua economia — como o PIX.
Causam muita estranheza essas declarações não estarem provocando reação popular e acendendo um alerta nacional:
- Afinal, posicionamentos como esses — ainda que sob diferentes justificativas —, caminham na direção de uma agenda que merece uma profunda indignação;
- Representam a mais descarada subordinação dos interesses nacionais a pressões externas, ou, no mínimo, para os mais ingênuos, uma visão deturpada de inserção do Brasil no mundo;
- Revelando uma lógica recorrente da direita — e especialmente da extrema direita — que, além de historicamente avançar sobre direitos dos trabalhadores e comprometer o futuro do povo brasileiro, adota uma postura entreguista e subserviente, abrindo mão de instrumentos estratégicos nacionais em favor de interesses que não são os do Brasil.
O tema das Terras Raras é emblemático:
- Em um cenário global marcado por disputa tecnológica e geopolítica, esses minerais deixaram de ser apenas recursos naturais — tornaram-se ativos estratégicos, fundamentais para a indústria de ponta, da transição energética à defesa;
- Abrir mão do controle soberano sobre essas riquezas, seja por meio de concessões excessivamente permissivas ou pela simples exportação de matéria-prima sem agregação de valor, é condenar o país a permanecer na posição de fornecedor primário, enquanto outros capturam os ganhos da industrialização e da inovação.
Não se trata de rejeitar investimento privado ou estrangeiro, mas de estabelecer quem manda, quem decide e quem se beneficia. Sem uma estratégia nacional clara, o risco é repetir erros históricos: entregar riqueza, importar tecnologia e perpetuar a dependência.
No mesmo sentido, causa preocupação qualquer sinalização que desvalorize ou fragilize instrumentos como o Pix, uma das mais bem-sucedidas inovações recentes do Banco Central do Brasil:
- O Pix não é apenas um meio de pagamento — é infraestrutura pública, inclusão financeira, redução de custos e aumento de eficiência econômica;
- Mexer nisso, direta ou indiretamente, é mexer em um dos pilares da modernização econômica brasileira.
Por trás dessas posturas, há uma lógica conhecida: a crença de que o Brasil deve se alinhar de forma automática aos interesses das grandes potências, abrindo mão de instrumentos próprios em troca de uma suposta inserção privilegiada junto a essas potências – que na realidade nunca existiu.
A história mostra o contrário. Países que se desenvolveram fizeram exatamente o oposto: protegeram seus setores estratégicos, coordenaram seus investimentos e construíram autonomia.
O Brasil precisa decidir se quer ser protagonista ou coadjuvante no contexto geopolítico e da economia global:
- Se quer dominar cadeias produtivas – ou apenas fornecer insumos;
- Se quer fortalecer sua economia digital – ou abrir espaço para retrocessos.
Soberania não é um conceito abstrato. Ela se materializa em decisões concretas sobre recursos naturais, tecnologia, sistema financeiro e política industrial:
- Essas decisões, uma vez tomadas de forma equivocada, cobram um preço alto — e duradouro;
- O futuro do Brasil não pode ser negociado.
Entregar terras raras sem projeto nacional ou fragilizar o Pix é abrir mão, peça por peça, da capacidade de decidir o próprio destino. E eventuais convergências com agendas externas não podem significar, de forma alguma, submissão:
- Relações internacionais devem ser pautadas por interesse nacional;
- Nunca por alinhamento ideológico cego.
O Brasil não pode repetir o roteiro de dependência que marcou sua história: em um mundo em disputa, soberania não é retórica — é poder concreto sobre recursos, tecnologia e decisões estratégicas.
Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e tantos outros vendilhões da Pátria, representam a expressão política de um abjeto projeto que naturaliza a entrega, relativiza a soberania e aceita um Brasil menor, subordinado e dependente.
O povo tem que tomar ciência disso, e a comunicação oficial do governo do Luiz Inácio Lula da Silva precisa cumprir um papel estratégico:
- Denunciar o falacioso discurso dos que defendem a rapinagem das nossas riquezas e a completa destruição da nossa soberania, traduzindo temas complexos em linguagem acessível;
- E fortalecer a consciência nacional sobre a importância de proteger recursos e instrumentos fundamentais ao desenvolvimento do país.
O Brasil não pode mais aceitar esse caminho e precisa afirmar, com clareza e coragem, que seu futuro não está à venda — que soberania não se negocia —, e que é crime de lesa-pátria usar o patrimônio brasileiro para resolver problemas dos EUA.


