China, país do futuro. Por Marcos de Oliveira

O futuro que se molda na China contrasta com EUA e Europa presos ao passado; e como fica o Brasil nessa história?

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Vista de ponte e cidade de Chongqing, China
Vista de ponte e cidade de Chongqing, China (foto Monitor Mercantil)

Original em: https://monitormercantil.com.br/china-pais-do-futuro/

O taxista que me levava do aeroporto até minha residência perguntou se eu conhecia bem a China, já tendo ido lá várias vezes. Impossível. É um país gigantesco, com uma população idem. Mas a questão não é só geográfica ou demográfica. A cada vez que se vai lá, a China está diferente.

Na primeira vez que lá estive, era necessário visto e preencher um formulário em papel na chegada. Nas viagens seguintes, o papel foi substituído por totens para identificação no aeroporto. Nessa última vez, já sem a necessidade de visto, a chegada era simplificada por um miniprograma no WeChat ou Alipay.

Um contraste com os Estados Unidos, onde muito aeroportos ainda exigem preenchimento de formulário em papel para alfândega, ou com a Europa, que adiou pela enésima vez o Etias, sistema eletrônico de ingresso. A identificação biométrica em totens para entrar nos 29 países do Espaço Schengen passou a ser obrigatória desde a última sexta-feira (10), e as companhias aéreas recomendam tempo e paciência. Os totens ora funcionam, ora não, obrigando os viajantes a recorrer a funcionários que nunca funcionam.

Nos voos internos na China, a apresentação de documento na hora do embarque é desnecessária. Basta a passagem – normalmente, no celular.

Estados Unidos e Europa parecem presos ao passado. O Brasil aparece bem melhor na fita, com uso de celular para pagamentos em sistemas de transporte e o destaque para o Pix. Nos EUA, ainda se usa cheque – para um brasileiro que nasceu depois dos anos 2000, algo tão curioso quanto um radinho de pilha. Em 1995, no Brasil, foram compensados 3,3 bilhões de cheques; 30 anos depois, foram apenas 112,5 milhões, uma queda de 96,62%, segundo a entidade dos bancos (Febraban).

Na China, consegue-se ver o futuro sendo construído. O título desta nota foi inspirado em Brasil, País do Futuro, livro do austríaco Stefan Zweig publicado em 1941; uma frase que gerou uma incompreensão tal qual “deitado eternamente em berço esplêndido”, do Hino Nacional.

A trajetória chinesa mostra que não se trata de buscar fórmulas ou exemplos, mas sim entender as lições para se buscar um caminho único, de cada nação, para fazer florescer todo seu potencial. O Brasil tem vantagens incontestes, como um território gigante e de posição singular, situada, a grosso modo, entre o Equador e o Trópico de Capricórnio, que garante um clima diversificado; matérias-primas abundantes; um único idioma; uma população identificada com o País e a mais miscigenada do planeta, por mais que isso incomode os arautos da questão identitária. Falta ao Brasil buscar, nessa unidade, um projeto de Nação que leve o País a um novo patamar no panorama global.

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