Democracia nos EUA contradiz Tiririca. Por Marcos de Oliveira

Sob comando de Trump, EUA manipulam ainda mais a suposta democracia e contrariam a máxima de Tiririca: pode ficar pior.

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Donald Trump com boné 'USA' (foto de Hu Yousong, Xinhua)
Donald Trump com boné ‘USA’ (foto de Hu Yousong, Xinhua)

Original em: https://monitormercantil.com.br/democracia-nos-eua-contradiz-tiririca/

Os EUA se gabam de ser a terra da democracia e da liberdade, não sendo nem uma coisa, nem outra. Como o articulista Pedro Augusto Pinho já mostrou algumas vezes, a suposta democracia estadunidense “dificilmente poderia ser então qualificada democrática – o governo do povo”. A Constituição estadunidense manietou a participação popular. Mas, contrariando Tiririca, o que está ruim pode piorar.

Nos EUA, existem 435 distritos legislativos; cada 1 elege 1 representante na Câmara (equivalente a nosso deputado). Além disso, há 50 senadores, 1 por cada estado. Levantamento feito pelo The New York Times mostra que menos de 40 assentos são considerados competitivos; os demais já têm vencedores certos – ou republicano, ou democrata, salvo 1 ou outro independente.

Trump e seus aliados estão manipulando os distritos para dificultar eleição de democratas; governadores do Partido Democrata fazem o mesmo. Em disputa, o controle da Câmara dos Representantes (equivalente a nossa Câmara dos Deputados).

“Não se trata de algo novo; o que deveria ser um mecanismo para garantir representatividade proporcional acabou se tornando um instrumento de manipulação eleitoral nos Estados Unidos. O termo gerrymandering foi criado em 1812, quando o então governador de Massachusetts, Elbridge Gerry, aprovou um mapa eleitoral que favorecia seu partido ao criar distritos com formatos peculiares — um deles lembrava a forma de uma salamandra”, analisa Juliana Aparecida Sousa Carvalho, doutoranda em Ciências Políticas, Universidade de São Paulo (USP), em artigo no The Conversation.

A mais recente investida foi do governador da Flórida, Ron DeSantis. Semana passada (27 de abril) divulgou o novo mapa eleitoral que permitiria ao Partido Republicano conquistar mais 4 cadeiras nas eleições legislativas federais de novembro, popularmente conhecidas como “midterms”.

Normalmente, o redesenho distrital ocorre a cada 10 anos, mas os republicanos pisam fundo para fazer mudanças no meio da década, contando com a complacência da Suprema Corte, controlada pelos republicanos, que enterrou a lei que garantia justiça na participação de eleitores negros.

O anúncio ocorre apenas uma semana depois de o eleitorado do Estado da Virgínia, na costa leste dos Estados Unidos, ter aprovado por uma margem estreita o redesenho de seus distritos eleitorais sob o mandato da governadora democrata Abigail Spanberger.

A democracia nos EUA é, desde a origem, um simulacro destinado a manter o status quo, com os mais ricos – e hoje, os donos das redes – no poder. Mas o que é ruim sempre pode ficar um pouco pior, contrariando a máxima de Tiririca.

Controle dos EUA

A colaboração total entre as Big Techs e o Governo dos EUA em inteligência artificial (IA) é mais um argumento para o Brasil adotar eficazes restrições para impedir que os dados dos seus cidadãos sejam controlados pelo Pentágono.

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